E chego à conclusão que talvez...mais ou menos...quando conseguir esquecer que no meu mapa existe o planeta B612 e um Pequeno Grande Príncipe a cuidar de uma rosa. Nesses raros momentos valorizo o pouco que tenho e reconheço que talvez me esteja a libertar do «meu» príncipe.
Quando se sente um terramoto não se pensa em ir para debaixo da mesa, nem para qualquer outro lugar seguro.
Reza-se muito e rápido para que o tecto não nos caia em cima da cabeça enquanto tentamos reconhecer o que raios se está a passar.
Estar em casa com pessoas que não sentiram nada e dizem que estamos a alucinar não ajuda.
Portanto ficam aqui este avisos à navegação: - aprendam a rezar bem, rápido e com força. comigo resultou e o tecto não me caiu em cima. Estou muito grata por isso.Já não estou tão grata por habitar um rés-do-chão com várias toneladas de cimentos por cima.
- deixem que sejam os outros habitantes da casa a vir ter convosco, porque ficar a duvidar da vossa sanidade mental durante 20 minutos não é pêra doce-posso garantir.
-argumentos baseados em espanta-espíritos não são válidos. Assim do estilo: «Oh Ana...o que tu tiveste foi uma alucinação, o meu espanto-espíritos nem se mexeu». Acreditem em mim, também não conta e tenho um sismo com escala de não sei quantos para o comprovar.
Navegai pois com cuidado-como diria um saudoso amigo meu da faculdade para quem fica aqui hoje o meu beijinho de Parabéns por mais um aniversário.
Cheguei à conclusão que a minha relação com o Direito é exactamente como aqueles casamentos que duram para a vida, em que as pessoas se amam profundamente, mas em que volta não vira é absolutamente necessário que se afastem para perceberem que devem ficar juntas e que se amam de verdade, que devem ficar uma com a outra.
E eu e o Direito somos assim: devemos ficar juntos e felizes para sempre. Espero apenas que ele me aceite de novo!
Apetece-me portanto dedicar-lhe esta pequena melodia:
Nestes últimos dias a Ana andou perdida entre a melhor tradição estudantil e a sua própria memória do que isso possa significar.
Pelo meio aproveitou para visitar o Grande D. Afonso Henriques (melhor e com muito mais honra em Guimarães do que ali),a melhor tradição académica de Coimbra (que espera ter honrado nos tempos da Academia de Lisboa), a Grande Rainha Santa,um mosteiro ou outro e, claro uma ou outra residência (ainda a melhor especialista em entradas e saídas undercover).
Entretanto a Ana andou em recuperação dos mil disparates que lhe ocupam a mente. Não teve muito sucesso, mas sempre que esta música soar tudo vai ficar bem mais fácil e divertido e a memória vai viajar pelas estrelas,certamente. Tudo vai ter uma perspectiva bem diferente. Ainda que seja à luz de uma qualquer noite longínqua no Plateau há já muitos anos. A Ana vai ser sempre vista aos pulos sempre que esta música começar a soar em Lisboa, Paris, Aveiro, Guimarães, Porto ou seja lá onde for.
Memórias de outras tardes de sol, ou de chuva, memórias de outras noites. Não deixa de ser irónico que uma música tão triste possa ter servido de pano de fundo a coisas tão boas.
Por estes dias apetecia-me ir para longe, para onde a música não fizesse tanto sentido.
O Tiago (que será a tradução de Jacques) andou comigo por Paris. A Diana apresentou-me portanto este senhor, o Jacques Brel, e este melodia, muito apropriada à missão que nos levou à cidade-luz e lá andei eu a insultar burgueses perto de tudo o que era instituição financeira de relevo e em muitas ocasiões no interior de uma determinada instituição em particular.
Ora o Tiaguito vai muito bem nesta melodia principalmente pela ironia. Será que acabaremos todos do outro lado da barricada? Andar a defender a justiça no mundo e pugnar por um mundo melhor dentro de um Banco, será um paradoxo?Querer justiça social e ao mesmo tempo rigor económico indica exactamente o quê? Fará de mim uma pequena burguesa?
Continuarei a cantar por aí que os burgueses são todos parvos e como os porcos e mais nada.
OS BURGUESES
"Com o coração bem aconchegado e os olhos postos na cerveja da tasca da Adriana Gorda, eu, o meu amigo Jojo e o meu amigo Pierre, bebíamos os nossos vinte anos... O Jojo fazia de Voltaire, o Pierre de Casanova, e eu, e eu que era senhor do meu nariz... Eu fazia de mim mesmo! E à meia-noite quando passavam os Notários que saíam lá do Hotel dos Três Faisões, nós, rapazes com boas maneiras, mostrávamos o cu e cantávamos: “Os burgueses são como os suínos, quanto mais velhos mais cretinos... Os burgueses são como os suínos, quanto mais velhos...”
Com o coração bem aconchegado e os olhos postos na cerveja da tasca da Adriana Gorda, eu, o meu amigo Jojo e o meu amigo Pierre, queimávamos os nossos vinte anos!... O Voltaire dançava como um vigário, o Casanova, nem por isso, e eu, eu que continuava senhor do meu nariz, bebia até tocar com o dedo... E à meia-noite, quando passavam os Notários que saíam lá do Hotel dos Três Faisões, nós, rapazes com boas maneiras, mostrávamos o cu e cantávamos: “Os burgueses são como os suínos, quanto mais velhos mais cretinos... Os burgueses são como os suínos, quanto mais velhos...”
Com o coração sossegado e o olhar tranquilo, no Bar do Hotel dos Três Faisões, eu, o meu amigo Senhor Jojo, e o meu amigo Senhor Pierre, passamos o tempo entre outros Notários. O Senhor Jojo fala de Voltaire, o Senhor Pierre fala de Casanova, e eu, eu sempre senhor do meu nariz... Eu ainda falo de MIM MESMO! E sempre que saímos do Hotel dos Três Faisões, perto da meia-noite, senhor Comissário, uns jovens grosseirões lá da tasca da Adriana, mostram-nos o traseiro e cantam em coro...“Os burgueses são como os suínos, quanto mais velhos, mais cretinos”... Isto é o que eles cantam, senhor Comissário...”Os burgueses são como os suínos, quanto mais velhos, mais cretinos..."
Ganhou a repressão discreta e o autoritarismo. Ganhou o compadrio e o despotismo. Ganhou o «factor c» e o «venha a nós». Ganhou o adaptar da lei para aquilo que der mais jeito no momento. Ganhou a demagogia e o cinismo. Ganhou a política de cosmética. Ganhou a Direita que anda mascarada de Esquerda e tem vergonha de o ser. Ganhou o partido que conseguiu piorar a vida dos portugueses em geral e de cada um de nós em particular. Perdeu o país e por isso vou andar uma semana de luto.
Doravante existirá neste blog uma sequência de «avisos à navegação». Informações de grande utilidade para se existir nesta sociedade sem que se altere a vibração positiva da alma.
Posto isto o primeiro aviso é: Não tentem encontrar objectos alusivos ao «Petit Prince». Nem posters nem brinquedos nem candeeiros nem coisa absolutamente nenhuma.
Podem tentar, eu tentei. Em lojas de crianças principalmente. Não há.Há do Noody e do resto da pandilha toda, mas pequenos príncipes é que não.
Em bom rigor até vi brinquedos. Na Fnac. A 10 euros a unidade. Mas de resto rien. Consegui entrar numa série de lojas de um centro comercial enorme e não encontrar nada. Também consegui que um senhor do supermercado nem soubesse do que eu estava a falar («o quê? não conheço!», prefiro acreditar que o senhor estava cansado-muito.)
De-formas-que eu não queria interferir com os direitos de autor mas dentro em breve vou mesmo imprimir o poster que quero numa qualquer gráfica perto de mim. E tenho dito.
Quanto a mim posso apenas dizer que se alterou qualquer coisa. É impossível ser exposta a tanta beleza e permanecer na mesma. Não acontece.
Noto principalmente uma sensibilidade ao extremo. Para lá do que costumava acontecer. Nunca percebi muito bem as pessoas que se emocionavam através da beleza, por ouvirem uma música ou verem um quadro ou por estarem felizes mas parece que agora acho o mais normal da vida.
Enfois...a última emoção veio através de uma voz só porque era bonita. Entretanto peço a alguém que me internem rapidamente que isto não é normal. Estou aqui estou a fazer o elogio do amor (cruzes credo!lol).
A Ana está em Paris.A amar cada momento porque a cidade é,de facto, linda até dizer chega e linda até às lágrimas.
Mas há sempre momentos de saudade pura e dura em que só se consegue pensar nas pessoas com quem queríamos partilhar certos momentos (porque sabemos que elas íam adorar por este ou aquele motivo) ou em que se pensa simplesmente «quem me dera estar em casa!» (como quando sabemos que só não vamos ao médico porque não sabemos ao certo como funciona o sistema e não queremos ser alvo da negligência médica privada ou pública).
Nesses momentos só penso que queria estar em casa com os meus amigos e a minha família mas depois também penso no conceito de «casa» e não consigo perceber exactamente o que é isso de «estar em casa»
Tudo começou na chamada «Torre» aos domingos e nos dias em que o tio da menina chegava de uma ilha assim muito longe.
Então a menina convenceu-se que quando fosse grande queria ser piloto (piloto porque, como a menina aprendeu numa composição qualquer quando começou a escrever, à pessoa que conduz os aviões chamamos piloto e nunca pilôta porque isso é uma palavra feia que os meninos não dizem).
A menina cresceu e viu um filme sobre aviões com um actor muito giro chamado Tó Cruz (Tom Cruise para os amigos) e resolveu que afinal era daqueles que gostava. Mas não podia ser porque a menina já se tinha casado com os óculos (nessa altura horrorosamente suportados por uma fita para não caírem) e além disso as meninas não devem gostar dessas coisas, pensa lá em qualquer coisa mais apropriada (e a resposta era invariavelmente «não estás sempre a dizer que tenho a cabeça no ar? assim o resto do corpo também vai e fica como deve ser»).
A menina continuou a crescer e convenceu-se que aquilo que gostava era de livros, códigos, regras, leis, justiça. Formou-se em Direito como as meninas bonitas devem fazer e foi aturar gente parva que não sabe o significado nem a importância da Justiça.
Depois cansou-se e foi brincar aos mercados financeiros.
Mas todos os dias, em todo e cada dia da sua vida, não houve um único em que não olhasse para cima à espera de ver a poesia traduzida num objecto que pesa toneladas e mesmo assim é o mais rápido e eficaz do mundo (e quanto à menina também o mais bonito). A menina continuou sempre a olhar para o céu à procura de aviões ou de estrelas (por esta exacta ordem). E acaba sempre por ser no céu que se encontra a evasão-nos bons e nos maus momentos. Entre estrelas e aviões.
E amanhã é lá que vou estar: entre estrelas e aviões e a amar cada momento.
original by Sinatra
ps: para todos aqueles que me ouviram gozar com a possível queda do bebé:
-quando eu morrer era fixe que fosse num avião, para mim seria perfeito (pancadas...)e acreditem que não me ía queixar (o que não é desculpa para não pagarem a indemnização!ouviram senhores da tap?) -os aviões não caem -já tive a minha cota parte de acidentes quando estava num comboio que descarrilou porque bateu noutro e logo a seguir sofreu o embate de outro comboio (what are the odds?) -os aviões não caem
Hoje foi um dia complicado. É triste quando a magia se perde e se percebe que o número de pessoas em quem podemos confiar é reduzido.É complicado ter de engolir rãs para não descer a níveis muito para lá do abismo. É triste perceber que vamos ver esse filme durante alguns meses.É ainda pior ter a noção que as nossas formas de protecção são reduzidas e que podemos cair na armadilha mais estúpida no segundo seguinte sem ver muito bem de onde veio.
Contudo é bom fechar os olhos e pensar que não é isso que nos vai perturbar quando se tem uma estratégia definida (keep it cool, neste caso frozen)e quando chegar o momento explode-se como em Hiroshima e acorda-se noutro local e fica tudo bem outra vez e se calhar o cheque no final até se torna mais apetitoso e tudo.
Entretanto olha-se para o calendário, ou para a agenda e há qualquer coisa que nos faz sorrir, um aniversário ou uma viagem próxima e pensa-se só:«este problema é mais teu do que meu».
Quanto a mim espero só que possas sorrir da mesma forma, sabendo que permaneces o meu equilíbrio preferido, que espero que onde quer que estejas, e com quem quer que estejas possas também ter um sorriso parecido,e nos momentos mais complicados penso em ti e na educação e extrema correcção e acabo sempre por leave out all the rest.
Está a decorrer a contagem decrescente para eu voltar a casa.
Depois de uma passagem rápida há uns 15 meses (com um irónica paragem para café na Maia-absolutamente sem comentários excepto um grande W.T.F.?) eis que me preparo para voltar a sentir toda a energia e reter toda a aprendizagem que só a minha cidade me pode proporcionar.
Confesso que já sonho literalmente com isso e que já imagino a chegada (e nunca a partida, ainda que saiba que será inevitavelmente regada a muita lágrima).
Claro que num ano como este, com estímulos a mais, torna-se complicado não ter o Variações a tocar no cérebro constantemente mas a minha cidade ocupa, ainda assim, um lugar de destaque. It's more about the journey than the trip.
Estava eu num dos meus muitos momentos de ócio e reflexão e eis que surge esta música na minha mente (sim, o tema da reflexão seria eventualmente ser "algia" das protuberâncias dianteiras situadas ao nível da cabeça).
Como diria o senhor da Tv:«já fui muito feliz a ouvir esta música», como a minha vida é feita de equilíbrios devo dizer que o contrário também é verdade.
É bom ver que as polémicas e a vida privada são relegadas para segundo plano, e que o que se valoriza é o génio profissional, (como devia acontecer sempre).
Em relação ao melhor e ao pior não culpemos o ser humano por trás da lenda, blame it on the music!
Por estes dias ando com muito pouca predisposição para o culto do sofrimento per si. Apetece-me mais cultivar o bem-estar e a alegria latente. Descobri que, ao contrário do que os profetas da desgraça preconizam, aprende-se muito mais assim - sobre a vida, sobre os outros e, principalmente, sobre nós mesmos.
Não me apetece mesmo nada ir à procura de problemas onde eles não existem, andar por aí a sêmea-los, ou a enfatizar os existentes.Os conflitos só servem para nos criar rugas e na maior parte dos casos as pessoas em causa não valem as calorias gastas.
Essa maravilhosa odisseia que foi a minha passagem pela O.A. parece querer prolongar-se no tempo e perseguir-me a mim e aos meus dias.
De qualquer das formas adoptei esta nova atitude que é para ficar, e Viva a Sra. Da. Nina Simone!