quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Trata da indecência

Há coisas que me tiram do sério, verdadeiramente. Dá-me logo vontade de armar a senhora de cama incerta.

Estava eu muito bem sentada a anestesiar o cérebro quando dou de caras com uma notícia que me pareceu absurda.

Como em tantas outras coisas da minha existência a culpa foi minha, já devia saber que não devo ver a CNN depois de determinada hora. Mas não. A Aninhas tinha de ir ver a CNN e querer saber o que se passa no mundo. Bem feita.

Começo por fazer referência ao canal para que mais ninguém caia no mesmo erro que eu:«ai que piada tão gira! mas fogo! não deviam brincar com isto, mas espera! isto é um canal sério, a notícia também deve ser»

A notícia que me deixou estupefacta foi o facto de a Índia, sim, a Índia, estar prestes a fazer um lançamento de um satélite lunar. Custo da brincadeira? 79 milhões de dólares.

Claro que os senhores têm todo o direito a fazer a exploração espacial que quiserem, qualquer nação soberana ou nem por isso tem o mesmo direito.Não é a iniciativa que me choca, é proveniência.

A Índia acordou uma bela manhã e resolveu ser uma super potência em todas as frentes, e já são, em muitos campos. Avanços espantosos ao nível da medicina. Engenheiros fantásticos, altamente disciplinados e inteligentes. São um dos principais exportadores de «cérebros» para os Estados Unidos da América.

Mas caramba... São também um país com diferenças abissais entre os seus habitantes (herança do sistema de castas que persiste ainda, mas só isso não me serve para ir dormir mais descansada). A miséria marca presença constante e bem visível em qualquer das suas cidades.

Vai daí o que faz o governo? Cria programas de desenvolvimento para apoiar a população mais desfavorecida?(e até lhes dava jeito, sempre eram mais mentes que não se desaproveitavam e a educação é o primeiro passo para bem desenvolver um país). NOPES. Desenvolve alguma forma de não ter tantas pessoas a morrer à fome ou com a quantidade de doenças que grassam pelo país? NOPES. Pensa nalguma forma de melhorar o bem estar da população? NOPES. Mandam um satélite para o espaço para estudar o solo lunar. Isso é que é um grande investimento. Parece que pretendem descobrir alguma forma de energia que possamos utilizar aqui no 3º calhau a contar do sol.(Viável como tudo esta solução, o petróleo vai acabar e agora quero um carro movido ao que quer que exista na lua-e não estou a falar de sonhos).

Sempre a aprender. Hoje aprendi que um governo que tem uma quantidade tão grande de problemas para resolver mas resolve assobiar para o lado enquanto os seus cidadãos morrem de fome e investir em brinquedos caros só pode ter um nome:INDECENTE.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Maybe tomorrow (I'll find my way home)

Às vezes o final chega na exacta forma do começo.

O Outono está de volta. Tal como estão de volta as folhas caídas no chão, montes de laranja para animar uma estação dita cinzenta.

Estão de volta as castanhas assadas, a chuva, os casacos quentes e elegantes, o problema dos bares em que não existe lareira nem espaço para fumadores. E principalmente o frio, os passeios à beira Tejo em dias nublados e a diferença na rotação do planeta (porque às vezes o mundo gira mesmo muito rápido).

Enquanto se viram páginas de um Verão que começou demasiado cedo e que não se quer deixar ir embora, enquanto se tomam decisões permanentemente adiadas mas que chegam por fim, enquanto se suspira e se pensa simplesmente: maybe tomorrow.

sábado, 4 de outubro de 2008

Porque na verdade é só isso que basta




Un Geste de Vous
Le Roi Soleil

"Si j'étais un mystère un mirage
Voudrais-tu me voir apparaître
Je peux être l'enfer dont l'image
Ou dévoiler son contraire
Si j'étais un rêve éphémère que tu devais conquérir
Serai-je une ombre passagère ou ton avenir

Juste un geste de vous et je suivrais le message
Un regard qu'on déjoue et je tournerai la page
Sans rien dire d'un sourire
Faire semblant de ne rien voir
Juste un geste entre nous
C'est ce qu'il me faut pour savoir
Pour m'avoir
Pour m'avoir

Si j'étais un mystère quel courage
Aurais-tu pour me connaître
Je peux être moi-même qu'un visage
Ou te rester étrangère
Si j'étais un loup solitaire que tu devais découvrir
Oserais-tu vraiment le faire sans me prévenir


Comment tu m'attends
Autrement
Que sais-tu de moi

Non que sait un autre que tu vois
Commande un reflet
Diffèrent
Viendrais-tu à moi
Non c'est un autre que tu vois
Un geste de vous "

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

life changes...and best friends became strangers.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Obrigada!

Sabem aquela mania parva que temos? Aquela de só querer dizer determinadas coisas a determinadas pessoas, quando já não podemos? Pois bem...eu também tenho essa mania.

Às vezes pode ser por falta de coragem, outras porque não damos a devida importância a certas pessoas, outras porque achamos que a pessoa em causa não vai perceber ou vai fazer uma interpretação errada do que tivermos para lhe dizer, e outras ainda só porque não nos apetece.

Bem...hoje uma pessoa que é muito importante para mim faz anos. Importante porquê? Porque foi uma das pessoas que curti mais conhecer na faculdade, porque tinha uma paciência enorme para mim nos momentos mais parvos, mas principalmente porque contribuiu para que uma data de coisas sarassem em mim.

Claro que essa pessoa não tem essa noção, nunca lhe disse, nem precisa saber. Em bom rigor só percebi essa importância quando uns tempos mais tarde ultrapassei um problema grave que só não foi pior por causa da dádiva de ter tido a oportunidade de aprender qualquer coisa com um ser humano do outro mundo.

Presumo que a pessoa em causa não vá ler isto, mas se por acaso isso acontecer: Parabéns e Obrigada. E nem vai ser preciso dizer mais.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Dever cumprido

Uma das regras basilares da nobre profissão da advocacia é não falar em público sobre os casos em que se trabalha, divulgar nomes ou pormenores que possam colocar em risco a privacidade dos clientes, e aquilo que é dito entre advogado e cliente.

Como é lógico não o vou fazer. Mas nos últimos tempos os advogados-estagiários foram elevados ao mesmo estatuto que as bruxas durante a época da inquisição e são vistos como alvos a abater precisamente por quem os devia defender.

Cada intervenção do «nosso» Bastonário contém sempre uma consideração ou outra sobre como somos mesmo incompetentes e tolinhos, sobre como nos limitamos a «pedir justiça», como somos pouco mais do que analfabetos. Bem...em bom rigor se calhar é abuso dizer «nosso» Bastonário depois do próprio ter enviado um mail a todos os seus colegas onde dizia que não o era, que não tinha dever nenhum para connosco, nós, que nem inscritos na Ordem estamos (eu ando sempre com uma cédula azul que parece dizer o contrário mas pronto...).

Poderia discorrer toda a noite sobre isso mas passei a Deontologia, bebi nas palavras de Santo Ivo e há regras que, para mim, são já parte da minha pele, mesmo que ainda não tenha conseguido a cédula encarnada que tanto almejo, por tudo isto não vou tecer considerações sobre o meu Bastonário. Porque tenho para com ele um dever de respeito-porque é o Bastonário actual, porque é um colega mais velho, porque a dignidade da pessoa humana assim o dita.

Ainda assim, hoje adormeço muito cansada e muito feliz. Com a melhor sensação de dever cumprido.

Durante os últimos meses tive um caso a dar-me voltas à cabeça por todos os motivos e mais alguns mas principalmente pelo lado humano-impossível de dissociar tantas e tantas vezes.

Pois bem...esse caso conheceu o seu desfecho hoje, e adormeço sabendo que cumpri o meu dever, que consegui atingir o objectivo num caso que parecia perdido.

Adormeço a saber que se conseguiram reunir as condições ideais de como um Estado de Direito deve funcionar, com a colaboração de todos os intervenientes numa perspectiva de colaboração e não de despique. Médicos, enfermeiros, assistente social, Juíz, Ministério Público, família e vá...lá pelo meio também andei eu.

Posso nunca vir a ter a cédula encarnada mas aquilo que faço está carimbado de responsabilidade e de esforço máximo no sentido de fazer aquilo a que me proponho.

A partir de sexta-feira alguém vai voltar a dormir no aconchego de um lar.E, querendo ou não, foi um trabalho desenvolvido por uma ADVOGADA-ESTAGIÁRIA.