Doravante existirá neste blog uma sequência de «avisos à navegação». Informações de grande utilidade para se existir nesta sociedade sem que se altere a vibração positiva da alma.
Posto isto o primeiro aviso é: Não tentem encontrar objectos alusivos ao «Petit Prince». Nem posters nem brinquedos nem candeeiros nem coisa absolutamente nenhuma.
Podem tentar, eu tentei. Em lojas de crianças principalmente. Não há.Há do Noody e do resto da pandilha toda, mas pequenos príncipes é que não.
Em bom rigor até vi brinquedos. Na Fnac. A 10 euros a unidade. Mas de resto rien. Consegui entrar numa série de lojas de um centro comercial enorme e não encontrar nada. Também consegui que um senhor do supermercado nem soubesse do que eu estava a falar («o quê? não conheço!», prefiro acreditar que o senhor estava cansado-muito.)
De-formas-que eu não queria interferir com os direitos de autor mas dentro em breve vou mesmo imprimir o poster que quero numa qualquer gráfica perto de mim. E tenho dito.
Quanto a mim posso apenas dizer que se alterou qualquer coisa. É impossível ser exposta a tanta beleza e permanecer na mesma. Não acontece.
Noto principalmente uma sensibilidade ao extremo. Para lá do que costumava acontecer. Nunca percebi muito bem as pessoas que se emocionavam através da beleza, por ouvirem uma música ou verem um quadro ou por estarem felizes mas parece que agora acho o mais normal da vida.
Enfois...a última emoção veio através de uma voz só porque era bonita. Entretanto peço a alguém que me internem rapidamente que isto não é normal. Estou aqui estou a fazer o elogio do amor (cruzes credo!lol).
A Ana está em Paris.A amar cada momento porque a cidade é,de facto, linda até dizer chega e linda até às lágrimas.
Mas há sempre momentos de saudade pura e dura em que só se consegue pensar nas pessoas com quem queríamos partilhar certos momentos (porque sabemos que elas íam adorar por este ou aquele motivo) ou em que se pensa simplesmente «quem me dera estar em casa!» (como quando sabemos que só não vamos ao médico porque não sabemos ao certo como funciona o sistema e não queremos ser alvo da negligência médica privada ou pública).
Nesses momentos só penso que queria estar em casa com os meus amigos e a minha família mas depois também penso no conceito de «casa» e não consigo perceber exactamente o que é isso de «estar em casa»
Tudo começou na chamada «Torre» aos domingos e nos dias em que o tio da menina chegava de uma ilha assim muito longe.
Então a menina convenceu-se que quando fosse grande queria ser piloto (piloto porque, como a menina aprendeu numa composição qualquer quando começou a escrever, à pessoa que conduz os aviões chamamos piloto e nunca pilôta porque isso é uma palavra feia que os meninos não dizem).
A menina cresceu e viu um filme sobre aviões com um actor muito giro chamado Tó Cruz (Tom Cruise para os amigos) e resolveu que afinal era daqueles que gostava. Mas não podia ser porque a menina já se tinha casado com os óculos (nessa altura horrorosamente suportados por uma fita para não caírem) e além disso as meninas não devem gostar dessas coisas, pensa lá em qualquer coisa mais apropriada (e a resposta era invariavelmente «não estás sempre a dizer que tenho a cabeça no ar? assim o resto do corpo também vai e fica como deve ser»).
A menina continuou a crescer e convenceu-se que aquilo que gostava era de livros, códigos, regras, leis, justiça. Formou-se em Direito como as meninas bonitas devem fazer e foi aturar gente parva que não sabe o significado nem a importância da Justiça.
Depois cansou-se e foi brincar aos mercados financeiros.
Mas todos os dias, em todo e cada dia da sua vida, não houve um único em que não olhasse para cima à espera de ver a poesia traduzida num objecto que pesa toneladas e mesmo assim é o mais rápido e eficaz do mundo (e quanto à menina também o mais bonito). A menina continuou sempre a olhar para o céu à procura de aviões ou de estrelas (por esta exacta ordem). E acaba sempre por ser no céu que se encontra a evasão-nos bons e nos maus momentos. Entre estrelas e aviões.
E amanhã é lá que vou estar: entre estrelas e aviões e a amar cada momento.
original by Sinatra
ps: para todos aqueles que me ouviram gozar com a possível queda do bebé:
-quando eu morrer era fixe que fosse num avião, para mim seria perfeito (pancadas...)e acreditem que não me ía queixar (o que não é desculpa para não pagarem a indemnização!ouviram senhores da tap?) -os aviões não caem -já tive a minha cota parte de acidentes quando estava num comboio que descarrilou porque bateu noutro e logo a seguir sofreu o embate de outro comboio (what are the odds?) -os aviões não caem
Hoje foi um dia complicado. É triste quando a magia se perde e se percebe que o número de pessoas em quem podemos confiar é reduzido.É complicado ter de engolir rãs para não descer a níveis muito para lá do abismo. É triste perceber que vamos ver esse filme durante alguns meses.É ainda pior ter a noção que as nossas formas de protecção são reduzidas e que podemos cair na armadilha mais estúpida no segundo seguinte sem ver muito bem de onde veio.
Contudo é bom fechar os olhos e pensar que não é isso que nos vai perturbar quando se tem uma estratégia definida (keep it cool, neste caso frozen)e quando chegar o momento explode-se como em Hiroshima e acorda-se noutro local e fica tudo bem outra vez e se calhar o cheque no final até se torna mais apetitoso e tudo.
Entretanto olha-se para o calendário, ou para a agenda e há qualquer coisa que nos faz sorrir, um aniversário ou uma viagem próxima e pensa-se só:«este problema é mais teu do que meu».
Quanto a mim espero só que possas sorrir da mesma forma, sabendo que permaneces o meu equilíbrio preferido, que espero que onde quer que estejas, e com quem quer que estejas possas também ter um sorriso parecido,e nos momentos mais complicados penso em ti e na educação e extrema correcção e acabo sempre por leave out all the rest.