Cheguei à conclusão que a minha relação com o Direito é exactamente como aqueles casamentos que duram para a vida, em que as pessoas se amam profundamente, mas em que volta não vira é absolutamente necessário que se afastem para perceberem que devem ficar juntas e que se amam de verdade, que devem ficar uma com a outra.
E eu e o Direito somos assim: devemos ficar juntos e felizes para sempre. Espero apenas que ele me aceite de novo!
Apetece-me portanto dedicar-lhe esta pequena melodia:
Nestes últimos dias a Ana andou perdida entre a melhor tradição estudantil e a sua própria memória do que isso possa significar.
Pelo meio aproveitou para visitar o Grande D. Afonso Henriques (melhor e com muito mais honra em Guimarães do que ali),a melhor tradição académica de Coimbra (que espera ter honrado nos tempos da Academia de Lisboa), a Grande Rainha Santa,um mosteiro ou outro e, claro uma ou outra residência (ainda a melhor especialista em entradas e saídas undercover).
Entretanto a Ana andou em recuperação dos mil disparates que lhe ocupam a mente. Não teve muito sucesso, mas sempre que esta música soar tudo vai ficar bem mais fácil e divertido e a memória vai viajar pelas estrelas,certamente. Tudo vai ter uma perspectiva bem diferente. Ainda que seja à luz de uma qualquer noite longínqua no Plateau há já muitos anos. A Ana vai ser sempre vista aos pulos sempre que esta música começar a soar em Lisboa, Paris, Aveiro, Guimarães, Porto ou seja lá onde for.
Memórias de outras tardes de sol, ou de chuva, memórias de outras noites. Não deixa de ser irónico que uma música tão triste possa ter servido de pano de fundo a coisas tão boas.
Por estes dias apetecia-me ir para longe, para onde a música não fizesse tanto sentido.
O Tiago (que será a tradução de Jacques) andou comigo por Paris. A Diana apresentou-me portanto este senhor, o Jacques Brel, e este melodia, muito apropriada à missão que nos levou à cidade-luz e lá andei eu a insultar burgueses perto de tudo o que era instituição financeira de relevo e em muitas ocasiões no interior de uma determinada instituição em particular.
Ora o Tiaguito vai muito bem nesta melodia principalmente pela ironia. Será que acabaremos todos do outro lado da barricada? Andar a defender a justiça no mundo e pugnar por um mundo melhor dentro de um Banco, será um paradoxo?Querer justiça social e ao mesmo tempo rigor económico indica exactamente o quê? Fará de mim uma pequena burguesa?
Continuarei a cantar por aí que os burgueses são todos parvos e como os porcos e mais nada.
OS BURGUESES
"Com o coração bem aconchegado e os olhos postos na cerveja da tasca da Adriana Gorda, eu, o meu amigo Jojo e o meu amigo Pierre, bebíamos os nossos vinte anos... O Jojo fazia de Voltaire, o Pierre de Casanova, e eu, e eu que era senhor do meu nariz... Eu fazia de mim mesmo! E à meia-noite quando passavam os Notários que saíam lá do Hotel dos Três Faisões, nós, rapazes com boas maneiras, mostrávamos o cu e cantávamos: “Os burgueses são como os suínos, quanto mais velhos mais cretinos... Os burgueses são como os suínos, quanto mais velhos...”
Com o coração bem aconchegado e os olhos postos na cerveja da tasca da Adriana Gorda, eu, o meu amigo Jojo e o meu amigo Pierre, queimávamos os nossos vinte anos!... O Voltaire dançava como um vigário, o Casanova, nem por isso, e eu, eu que continuava senhor do meu nariz, bebia até tocar com o dedo... E à meia-noite, quando passavam os Notários que saíam lá do Hotel dos Três Faisões, nós, rapazes com boas maneiras, mostrávamos o cu e cantávamos: “Os burgueses são como os suínos, quanto mais velhos mais cretinos... Os burgueses são como os suínos, quanto mais velhos...”
Com o coração sossegado e o olhar tranquilo, no Bar do Hotel dos Três Faisões, eu, o meu amigo Senhor Jojo, e o meu amigo Senhor Pierre, passamos o tempo entre outros Notários. O Senhor Jojo fala de Voltaire, o Senhor Pierre fala de Casanova, e eu, eu sempre senhor do meu nariz... Eu ainda falo de MIM MESMO! E sempre que saímos do Hotel dos Três Faisões, perto da meia-noite, senhor Comissário, uns jovens grosseirões lá da tasca da Adriana, mostram-nos o traseiro e cantam em coro...“Os burgueses são como os suínos, quanto mais velhos, mais cretinos”... Isto é o que eles cantam, senhor Comissário...”Os burgueses são como os suínos, quanto mais velhos, mais cretinos..."
Ganhou a repressão discreta e o autoritarismo. Ganhou o compadrio e o despotismo. Ganhou o «factor c» e o «venha a nós». Ganhou o adaptar da lei para aquilo que der mais jeito no momento. Ganhou a demagogia e o cinismo. Ganhou a política de cosmética. Ganhou a Direita que anda mascarada de Esquerda e tem vergonha de o ser. Ganhou o partido que conseguiu piorar a vida dos portugueses em geral e de cada um de nós em particular. Perdeu o país e por isso vou andar uma semana de luto.
Doravante existirá neste blog uma sequência de «avisos à navegação». Informações de grande utilidade para se existir nesta sociedade sem que se altere a vibração positiva da alma.
Posto isto o primeiro aviso é: Não tentem encontrar objectos alusivos ao «Petit Prince». Nem posters nem brinquedos nem candeeiros nem coisa absolutamente nenhuma.
Podem tentar, eu tentei. Em lojas de crianças principalmente. Não há.Há do Noody e do resto da pandilha toda, mas pequenos príncipes é que não.
Em bom rigor até vi brinquedos. Na Fnac. A 10 euros a unidade. Mas de resto rien. Consegui entrar numa série de lojas de um centro comercial enorme e não encontrar nada. Também consegui que um senhor do supermercado nem soubesse do que eu estava a falar («o quê? não conheço!», prefiro acreditar que o senhor estava cansado-muito.)
De-formas-que eu não queria interferir com os direitos de autor mas dentro em breve vou mesmo imprimir o poster que quero numa qualquer gráfica perto de mim. E tenho dito.
Quanto a mim posso apenas dizer que se alterou qualquer coisa. É impossível ser exposta a tanta beleza e permanecer na mesma. Não acontece.
Noto principalmente uma sensibilidade ao extremo. Para lá do que costumava acontecer. Nunca percebi muito bem as pessoas que se emocionavam através da beleza, por ouvirem uma música ou verem um quadro ou por estarem felizes mas parece que agora acho o mais normal da vida.
Enfois...a última emoção veio através de uma voz só porque era bonita. Entretanto peço a alguém que me internem rapidamente que isto não é normal. Estou aqui estou a fazer o elogio do amor (cruzes credo!lol).